Archive | março, 2010

Eu recomendo: Samba de Véio do Rodeadouro

31 mar

No post anterior eu falei sobre um grupo de samba de coco que se apresentou durante o VII EnconASA e que eu adorei!

Hoje descobri o nome do grupo: Samba do Véio do Rodeadouro. É formado por uma maioria de senhorinhas, mas tem umas mulheres mais jovens também que dançam coco quase que sem tirar o pé do chão e ao mesmo tempo tirando os dois pés quase que na mesma hora! É impressionante! Tentei até imitar, óbvio que sem o mesmo sucesso…

O grupo é formado também por homens que tocam a batucada em bancos de madeira. Massa!

Quem quiser ouvir um pouco da apresentação do grupo durante o VII EnconASA, clique aqui.

Consegui também um vídeo no youtube de uma outra apresentação que eles fizeram, parece que é em uma cadeia, não sei se na Bahia também… A gravação não está tão boa, mas vale a pena pra ver a agilidade que elas têm nos pés!

Post prometido!

29 mar

Acho que nunca vivi tantas coisas diferentes em apenas uma semana! Acho também que nunca trabalhei tanto! Mas foi extremamente gratificante!

EnconASA
O Encontro Nacional da ASA reuniu mais de 500 pessoas dos diferentes estados do Semiárido. Nós da comunicação tivemos que trabalhar muito para atualizar o site, fazer boletins de rádio, jornalzinho, então acabou não dando tempo nem pra curtir a programação direito! Mas deu pra ver algumas coisas bem legais! Vou trazer um resumo de alguns dos momentos legais que passei durante a realização do evento em Juazeiro, na Bahia.

Caminhada pelo Semiárido
Eu nunca tinha participado de uma caminhada antes, quanto mais ajudado a organizar uma! Fora a parte que um senhorzinho machucou a perna e teve que ser levado a um hospital porque o Samu disse que não tinha como buscá-lo, foi tudo tranquilo! Tava super quente e andamos por mais de uma hora e meia, mas ver a animação de mais de 4 mil pessoas realmente não tem preço!

Programação cultural
Entre uma plenária e outra, tivemos a oportunidade de ouvir uma palhinha de alguns dos artistas da terra. O destaque para mim foi o grupo Matingueiros, com músicas autorais que misturam coco, caboclinhos, maracatu… Lembra um pouco Chico Science, mas com um estilo bem particular! O outro destaque foi um grupo de samba de coco, infelizmente não sei o nome… Mas as senhorinhas dançavam muito batendo os dois pés quase que ao mesmo tempo no chão em um ritmo que não deu pra deixar ninguém no auditório parado! Adorei! Ah, não dá pra deixar de citar a Dona Cícera, uma agricultora de Pernambuco que fez uma toada em homenagem ao evento. Emocionou todo mundo!

Feira de Saberes e Sabores
Pena que tive que ir correndo, não deu nem pra ver a feira direito… Mas tinha muita coisa especial, com destaque para os sabonetes artesanais do Ceará, as bolsas de palha do Maranhão e os doces, acho que eram de Alagoas… Tudo feito pelo agricultores e agricultoras familiares do Semiárido, mostrando a riqueza desse povo!

O Velho Chico
Ai, é lindo ver aquela imensidão de água!!! E o passeio de barca? É extremamente comum as pessoas utilizarem esse meio de transporte para ir de casa ao trabalho, da escola para casa, mas para quem é turista, esse é um momento único!!! Dura só uns 5 minutos, mas é muito legal! Pena que essa transposição do São Francisco vai acabar mudando esse cenário e o pior: a água não vai chegar para quem realmente precisa e sim beneficiar o agronegócio! Lamentável, com tantas alternativas mais fácies, simples e baratas, ter uma obra faraônica para mudar o curso de um rio do porte do Velho Chico!

Juazeiro x Petrolina
“Sabe qual é a coisa mais bonita de Juazeiro? A vista para Petrolina!”. Que maldade, ein?! Essa é uma piadinha que vez ou outra a gente escuta na região (claro que quem conta é sempre um pernambucano). Mas um coisa é certa: Petrolina e Juazeiro são realmente diferentes! Tudo começa quando você está no meio da ponte que separa as duas cidades e o motorista diz: “Aqui começa Juazeiro”. De repente você percebe que a ponte reformada fica para traz e dá lugar a uma toda mal acabada! Segundo o motorista, uma briga política por causa do projeto da ponte impede que essa reforma no lado baiano seja realizada! Que vergonha! Mas fora isso, as duas cidades são bem diferentes! Petrolina tem mais prédios, mas cara de cidade grande. Guardadas as devidas proporções, a orla de Petrolina lembra a orla de Boa Viagem, com a diferença que ao invés do mar, tem-se o rio.  Já Juazeiro consegue preservar um pouco a carinha de interior, principalmente porque a própria população é contra as construções de prédios espigões, sobretudo na orla. As casas com arquitetura conservada são muito comuns. Mas gostei muito das duas cidades, apesar do calor e do vento quente, são locais muito agradáveis!

Petrolina, Juazeiro, Juazeiro, Petrolina…

21 mar

Semana que vem esse blog não terá atualizações porque estarei em Juazeiro, na Bahia, trabalhando no Encontro Nacional da ASA (EnconASA). Será um evento de comemoração aos 10 anos da Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA), entidade em que eu trabalho, na assessoria de comunicação.

Esse será um desafio para mim, como jornalista, um evento grandioso, com mais de 500 pessoas de todos os estados, tendo que atender a outros jornalistas, fazer releases, entrevistas e tudo o mais que a profissão nos exige.

Mas será também um momento de reviver um momento especial da minha vida, da minha adolescência, quando viajei a Petrolina para passar as férias na casa de uma tia. Lá comi acarajé, bode assado, vi uma eclusa na Barragem de Sobradinho, tive uma super crise de garganta… Mas enfim, foram férias inesquecíveis!

A travessia de ponte pela barca, as margens do rio, as carrancas, tudo isso faz parte de um cenário encantador que mesmo depois de mais de 10 anos, não consegui esquecer. E agora estou ansiosa para saber como estão as cidades irmãs, onde apenas uma ponte separa os baianos dos pernambucanos.

Quando voltar, prometo fazer um post contando um pouquinho de como foi essa viagem. Até lá!

Desejo

19 mar

Só mais uns minutinhos…

O poeta menor, menor, menor…

17 mar

Manuel Bandeira é, sem sombra de dúvidas, o poeta que mais admiro! Adoro seus textos leves, seus temas cotidianos, cheios de verdades, de sentimentos. Seu leve sarcasmo, como consegue retratar em simples palavras suas dores, seus medos, suas frustrações, sua própria vida!

Um poeta menor, como ele mesmo escreveu em versos. Tão menor, que se você repetir várias vezes, essa palavra torna-se “ENORME”. Mas não menor pela sua qualidade, de forma alguma, poeta menor na verdade é aquele que escreve sobre temas intimistas.

E ninguém como ele consegue isso. O homem viveu “tuberculosamente”, dos 18 aos 82 achando que morreria no dia seguinte por causa da doença. Uma vida que poderia ter sido e que não foi!

Separei dois dos poemas dele que gosto muito. Um deles é Belo Belo, que faz pensar o que realmente importa nessa vida! O outro poema é sobre a Arte de Amar (e existe arte para isso?).

BELO BELO

“Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.

Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.
E o risco brevíssimo — que foi? passou — de tantas estrelas cadentes.

A aurora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.

O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir o segredo grande da noite.

Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.

Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com trabalho.

As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.

Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.

— Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.”

ARTE DE AMAR

“Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

Porque os corpos se entendem, mas as almas não.”

Primeiro eu!!!

14 mar

Lembro quando eu era 1ª ou 2ª série do ensino fundamental, numa aula de religião (estudei em colégio católico onde religião era matéria com direito a prova e tudo mais), a professora perguntou: “O que é mais importante: amar ao próximo ou a nós mesmos?”.

Sem pestanejar, eu e pelo menos metade da turma respondemos o que parecia ser o mais óbvio: “Amar ao próximo”. Não foi o que Jesus ensinou? Pelo menos na minha cabecinha infantil o amor ao outro era muito mais importante que o egocentrismo (embora naquela época eu muito possivelmente nem soubesse o que significava essa palavra).

Mas para minha surpresa, a professora disse: “Amar a nós mesmos”. Peraí! Para tudo! Como assim, a professora enlouqueceu? Mas logo ela explicou que não era possível amar ao outro sem antes se amar. Ahhhhhh!!! É verdade! Lembrando bem o que Jesus ensinou foi “Amar ao próximo COMO A TI MESMO”.

Às vezes nos preocupamos tanto em agradar ao próximo, em cuidar de quem amamos, em zelar pelo bem daquelas pessoas que são importantes, que acabamos esquecendo do principal: se eu não cuidar de mim, quem vai cuidar?

Se olhar no espelho e dizer para si mesmo que você é a melhor pessoa do mundo pode ser um bom exercício para massagear o próprio ego, para se demonstrar o quanto amamos a pessoa mais importante do mundo: nós mesmos!

O problema é que tem algumas pessoas que se amam tanto que acabam esquecendo que a vida não gira em torno do próprio umbigo! Para essas pessoas, parece que o problema delas é sempre maior, só elas têm o direito de falar, sentir, sofrer, reclamar!

“Mateus, primeiro os teus!”. O resto que dê um jeito de se arrumar, o meu é sempre mais importante!

 Há um limite muito suave entre o amor-próprio e o egocentrismo! Realmente não é fácil tentar achar um meio termo entre os dois. Mas acho que não custa tentar, né? A humanidade agradece!

Indecisos…

12 mar

Quem tem dois, tem um
Quem tem um, não tem nenhum
Quem não tem, quer ter todos
E quem tem, não quer nada

Quem tem cabelo liso, quer cachear
Quem tem cachos, quer alisar
Quem tem muito, quer raspar
E quem não tem, quer implantar

Quem é solteiro, quer casar
Quem é casado, quer separar
Quem é separado, quer se ajuntar
E quem já tem, quer se livrar

E quando, enfim,
Conseguem realizar seus desejos
Lamentam sem parar:
“Perdi tudo o que tinha”