O efêmero

10 fev

A primeira vez que lembro ter ouvido essa palavra foi nas aulas de literatura: efêmero! O Barroco e a efemeridade das coisas nas palavras de Gregório de Matos (o “Boca do Inferno”) me encantaram. Embora eu nem soubesse na prática o que era isso.

Hoje penso: como é possível tudo mudar de um dia para o outro? Tudo se transformar em menos de 24 horas? A certeza de um instante ser trocada pela inconstância do momento seguinte?

Como isso é possível? Não sei. Há mais de 300 anos o Gregório de Matos também não sabia. Mas ele já sabia que tudo na vida é efêmero. As certezas de hoje são as dúvidas do amanhã!

A Gregório de Matos e à efemeridade das coisas! 

À instabilidade das coisas no Mundo

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.

Gregório de Matos

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